sexta-feira, 18 de junho de 2010

Entender?

Nossa capacidade vital não permite entender por completo todas as coisas, mas temos sentidos suficientes para contemplar a conclusão de todo questionamento!
Carolina Aires

terça-feira, 8 de junho de 2010

meu eu

Aquelas frases filosóficas, foram só pra te impressionar, pra te passar essa ilusão de intelectual... na verdade eu ainda nem sei se acredito nos valores que me ensinaram, quanto mais em frases feitas e opiniões formadas! Senta aí, vai! Deixa eu tirar os sapatos, desarrumar o penteado, tirar a maquiagem... quero te mostrar que assim de perto não sou tão bonita quanto pareço, por isso uso todos esses artifícios. É que no fundo tenho um medo terrível de que você me ache feia, de que você encontre em mim uma série de imperfeições. Sabe, não quero mais usar essa máscara de mulher inatingível, de mulher forte com punhos de aço... No íntimo me sinto uma pequena ave indefesa, leve demais para enfrentar o vento. Olha pra mim, às vezes minha intimidade não tem brilho algum e você terá que me amar muito para suportar essa minha impotência. impotência que muitos negam diante das cameras, nas frases bonitas do orkut, nas fotos coloridas e selecionadas... Vai, deixa eu tirar o casaco, tirar o cansaço... A convicção de independência afetiva? É tudo balela! Eu queria mesmo era dividir a cama, a mesa, o banho... Queria dividir os sentimentos, os sonhos, as ilusões... um pedaço de torta, uma xícara de café, algum segredo... Quantas vezes me inventei e até me convenci da minha identidade. Administrei minha liberdade. Tomei aviões, tomei whisky... troquei a lâmpada, abri sozinha o zíper do vestido... decidi o meu destino com tanta segurança! Agora, cá estou eu, vinte e tantos anos e toda atrapalhada, não sei direito o que fazer para agradar. Confesso que isso me cansa um pouco. Queria mesmo era falar de todos os meus medos, "dos seus medos?" você diria, como se eu nunca tivesse temido nada. Queria te falar das minhas marcas de infância, dos animais que tive, do meu primeiro dia de aula... queria falar dessas coisas mais elementares, e te levar na casa dos meus pais, te mostrar meu álbum de fotos, ah, queria te mostrar minha primeira bicicleta. Ela ainda existe! Queria te mostrar as árvores que eu plantei, e todas essas coisas que são tão importantes pra mim e tão insignificantes aos outros. Ah, você queria falar alguma coisa? Está bem! Antes, só mais uma coisinha: estou morrendo de medo que você saia desta cena antes de mim, que você saia à francesa desta história, e eu tenha que recolocar minha máscara, e me reinventar outra vez, para ser um estereótipo orkutiano...
Passei por momentos incríveis, por dores insuportáveis e amores irreparáveis... Vivi os 100 em 10, e nesse momento percebi que estava chegando muito perto do fim... Talvez esse seja o sentindo... Não há porque ter pressa, ou ter medo de ir rápido de mais, não há porque condicionarmos o que iremos viver em conceitos formados, ou grãos de ampulhetas... Temos sim que fazer com exatidão, pois as escolhas são fatais e um erro não é apenas uma forma de aprender... Quando a dor do errar bate, são poucos os que te ajudarão a levantar...
Aprendi de mais, mas ainda não sei quem eu sou e nem o que fui... E para que saber?
É... não sei ao certo se restaram pernas para reerguer e começar tudo de novo...
Mas vou vencer nesse mundo sábio, trazendo a dor para alimentação dos fracos e a sabedoria para o reino dos fortes...